24 de nov de 2015

Entrevista com atores da peça Na Pista


Na primeira semana desse mês (novembro), fui convidada para assistir e fazer uma breve entrevista com os atores da peça-série Na Pista (como já expliquei aqui). Essa é a primeira (de muitas!) entrevistas do blog e espero que gostem de ler do mesmo jeito que eu gostei de fazer. Acho eu, que a maioria dos atores vocês já conhecem, Lulli (Jeniffer Nascimento, Sol de Malhação, 2014 - 2015), Vini (Eduardo Melo, Joaquim de I Love Paraisópolis, 2015), Decão (Jean Amorim, Marcão de Malhação, 2014 - 2015 ), Fred (Eike Duarte) e Roby (Thamires S. Gomes).


''Uma história sobre amizade e ser adolescente. Uma viagem para eternizar essa amizade e que vai render muitas risadas. A jornada emocional fica a cargo das experiências e descobertas, solitárias ou em grupo, decorrentes de cada nova aventura. Um programa teen no palco. Uma montanha russa de emoções e acontecimentos, como bem é o metabolismo e os hormônios de jovens tão animados e cheios de vida!''

 Eike Duarte //  Eduardo Melo //  Thamires Gomes //  Jennifer Nascimento //  Jean Amorim

BP: Vocês já tiveram que improvisar na peça? Se sim, como foi a reação do público? Eles conseguiram notar?

Jean AmorimJá, várias vezes inclusive... Hoje! É que essa peça, é, ao mesmo tempo que a gente entra em uma de... Vamos, vamos fazer, ela é um desafio enorme pra gente, porque cada semana é um peça diferente, ou seja, amanhã terminamos aqui e já começamos a ensaiar para a próxima, que é semana que vem em outra cidade. Então o improviso vai sempre acontecer, só que o público talvez não note, porque já nos acostumamos a improvisar. A gente já espera que o outro, talvez possa esquecer algo e ai a gente vai se ajudando em cena, então o público na maioria das vezes não percebe, mas a gente sabe quando errou.

Jennifer Nascimento: São 4 dias de ensaio para cada peça, então... É muito pouco!

BP: É sempre diferente, então?!

Jennifer Nascimento: Cada semana é uma peça! No Rio de Janeiro era uma peça (1º temporada), aqui em SC já foi outra e em Ribeirão vai ser outro espetáculo.

Eduardo Melo: É porque estamos fazendo o formato de uma série mesmo, então é uma temporada, de 7 episódios que a gente quer fazer.

Jean Amorim: E ai rola o lance das redes sociais, que é para a galera acompanhar e ver o que aconteceu na primeira peça, sendo que toda peça tem início, meio e fim, mas a gente sempre deixa um ganchinho para a próxima.

BP: Vocês tem receio de improvisar ou é tranquilo?

Jennifer Nascimento: É que eu acho que já faz parte do trabalho do ator...

BP: Na peça!

Jennifer Nascimento: É que tem muitas peças que são de improviso também e acho que uma vez que você faz, vai pegando o jeito de improvisar. No começo sempre dá um medo, né?

Eduardo Melo: A gente não pode ter receio, temos que saber lidar com isso...

Jennifer Nascimento: Exatamente!

Eduardo Melo: Se alguém não lembrar da fala, você vai ter que...

Jean Amorim: Tem que sentir as pausas, né?! Se a pausa for muito longa... Opa, o outro já conhece! Por isso é muito importante conhecer o seu texto e o do outro, porque ás vezes um esquece...

Eike DuarteCom a gente também acontece improviso no palco mesmo, por exemplo... A menina que participou hoje, não descia do palco, ai eu fui ajudar, você viu?

BP: sim, sim!

Eike Duarte: Ai a gente tem que estar preparado...

BP: O nervosismo é grande quando começa a peça ou já estão tão acostumados que nem ligam mais?

Jennifer Nascimento: hmm, difícil!

Eduardo Melo: No primeiro dia (da peça), foi bem tenso assim, mas depois a gente foi se acostumando com o próprio ritmo de tudo. Você percebe que eles (personagens) estão numa viagem, a gente está dando vida para isso, então eles não precisam estar desesperados, em um ritmo frenético. Está todo mundo lá, tranquilão, então temos tempo de pensar na fala...

Jennifer Nascimento: E tem uma coisa também, que a gente é um elenco que sempre se ajuda! Então acho que gera essa tranquilidade. Tipo, se algo der errado, a gente sabe que alguma pessoa vai segurar as pontas.

Jean Amorim: E outra coisa é que já estamos meio acostumado, justamente com essa coisa do improviso. Então vamos fazendo tranquilo, sem correr com o texto, sem pressa, sem nervosismo, porque sabemos que se acontecer alguma coisa e a gente tiver nesse pique, não vai estar tão atento.

Eduardo Melo: É... Hoje a peça não existiu... Foi só improviso... (pausa) mentira!

(risos)

Jean Amorim: Então, fazemos meio que como um ensaio, o que a gente faz aqui no palco é o que a gente faz no ensaio, basicamente.

Eduardo Melo: A gente entra no personagem e vive!

BP: Qual a parte mais difícil do teatro?

Jean Amorim: Do teatro em si, de estar no palco, fazendo o espetáculo?
Cara, eu acho que uma coisa bem difícil é o lance da platéia, né? Cada dia é um espetáculo diferente, porque depende da platéia... Se é um público de adolescente que não vai rir da mesma piada que um mais velho vai rir, então esse é um ponto difícil. Temos que saber lidar com isso na hora.

Eduardo Melo: Não se pode deixar de segurar as pontas, quando notar que a coisa não está funcionando, por exemplo, esse é o diferencial do teatro, o resultado das nossas ações são imediatas, então qualquer resultado que não estivermos esperando, pode desestabilizar.

Jennifer Nascimento: É... tipo, na TV se estiver errado você volta a cena, já no teatro... 

BP: Como é feita a preparação antes de entrar em cena? Fazem alguma coisa ''especial''?

Eike Duarte: Temos nosso preparador de voz, Gustavo Salgado. Ele passa uns exercícios de voz para cantar e isso ajuda também na dicção. Ai já entramos preparados!

Jennifer Nascimento: Geralmente a gente tenta bater texto e passar cenas quando fica alguma coisa pendente. Fazemos passagem de áudio e sempre tem as musiquinhas, que são nosso ritual...

Eduardo Melo: E tem nossa rodinha de energia!

Jennifer Nascimento: Cada dia é uma musiquinha.

BP: Vocês já são adultos jovens, é mais fácil viver no teatro as coisas que já passaram (adolescência) ou ''problemas'' de adultos mais vividos (fase pelo qual ainda não passaram)?

Jennifer Nascimento: Eu acho, que quando você já viveu, tem ali uma memória emotiva, mas é relativo para cada ator, porque por exemplo, tenho muitas situações que já passei, mas não quero só copiar o que eu sentia no momento, quero criar uma coisa nova.

Thamires Gomes: Até mesmo, porque cada pessoa é diferente, né?

Jennifer Nascimento: Sim! Ás vezes é mais fácil fazer uma coisa que você nunca viveu, que vai ter que construir tudo, do que resgatar no passado, pensar em como se sentiu na situação...

Eduardo Melo: Ou isso pode ajudar para fazer...

Jennifer NascimentoÉ como eu falei, é relativo de ator para ator.

Jean Amorim: Tem gente que simplesmente pega o que já viveu e faz você mesmo ali na hora e tem gente que quer fazer algo diferente. É um personagem. Esse personagem passou pelas mesmas experiências que eu? Se sim, talvez pode encaixar o que eu vivi, se não, eu vou ter que buscar uma outra coisa para fazer.

Jennifer Nascimento: Tem outra coisa, por exemplo, isso da memória emotiva é um método de teatro que ás vezes ajuda e ás vezes é muito perigoso. Toda vez que você chora, se pensar em quando sua mãe morreu, você vai acabar caindo em uma depressão. Então é bom saber dosar e em que momento você pode usar uma coisa que já passou na sua vida e em que momento você vai ter que recriar para não te prejudicar.

Eduardo Melo: Eu tenho a técnica do dedo no olho!

(risos)


Amei a experiência, foi MUITO alto astral esse nosso papo! Queria agradecer todos, eles são incríveis... <3

Beijos,

Bruna.

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